Diamantes e petróleo - Bênção ou maldição na África?


A resposta, na verdade, é que a riqueza mineral na África se tornou uma maldição sobre o continente já há séculos atrás. Estas comodidades têm causado conflitos eternos entre as tribos africanas que lutam pelo controle destes recursos.

As guerras se multiplicam e são perpetuadas principalmente pelo tráfico de minerais - geralmente são trocados por armas usadas para defender suas jazidas e conquistar às das tribos inimigas.

20% dos diamantes do mundo são vendidos ilegalmente e 15% deles são adquiridos em zonas de conflito. 

Por causa dos métodos severos de mineração e extração de petróleo, e do modo pelo qual os civis são tratados pelas guerrilhas, muitas vidas são perdidas.

O CICLO ETERNO 

Os conflitos começam com golpes separatistas contra o governo - ou milícias que controlam o tráfico dos minerais - para o "bem do povo", segundo eles. Estes soldados rebeldes escolhem um nome para o seu "movimento", tipo Fronte de União Revolucionária. 

Nos batalhas que se seguem, o lado que tem influência sobre os recursos terão uma vantagem clara no conflito, pois este consegue o apoio dos traficantes de armas, que estão sempre apoiando e esperando por 'oportunidades' para negócios. 

A população que vive perto ou nos arredores dos recursos naturais são, então, sujeitos à vários tipos de atrocidades ou até mesmo escravizados para a extração dos minerais. Quando o conflito chega a este ponto fica muito difícil para o governo legítimo controlar ou até mesmo parar a guerra.

Enquanto o conflito prossegue, bilhões de dólares em diamantes e petróleo são traficados para fora das áreas de conflito, enquanto armas e minas terrestres são traficadas para o local.

Para ganhar força, várias guerrilhas usam crianças em seus exércitos. Eles usam vários métodos terríveis de tortura emocional para criar soldados capazes de qualquer atrocidade. Os soldados das guerrilhas invadem tribos, estupram todas as mulheres e menininhas. Os homens são assassinados na frente dos filhos. As vezes, os próprios filhos são forçados a matarem seus pais, e estuprarem suas irmãs e mães. 

Em uma das tribos do Congo que estamos trabalhando, quase não existe mais homens adultos, e as mulheres da tribo contam que já foram estupradas no mínimo 5 vezes cada. Em Janeiro estaremos enviando mais uma equipe à República Democrática do Congo. Eles vão fazer uma pesquisa social com duas das tribos minoritárias, e em breve esperamos enviar uma equipe permanente entre eles.

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SOBRE O AUTOR

Douglas Hugentobler

Douglas é o diretor acadêmico da Universidade das Nações em Worcester, África do Sul. Ele faz parte da liderança da Jocum em Worcester, onde mora há 16 anos junto com sua esposa e filhas.

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